Sonho x Vocação

Participei de uma reunião incrível nesta semana com mulheres fantásticas e experientes, que estão criando um trabalho necessário e muito bonito de fomento à empregabilidade para adultos 50+ e uma das discussões que surgiu foi, justamente, a diferença entre sonho e vocação.

Creio que todos nós já fomos pegos por essa confusão em algum momento de nossa vida, por isso, resolvi refletir um pouco a respeito.

Um dos nossos erros mais comuns é vincular nossos sonhos ao campo profissional. Claro, esse é um erro compreensível, afinal, bem mais da metade das nossas horas produtivas semanais são absorvidas por atividades profissionais.

Faça as contas e veja quantas horas são dedicadas por mês, trimestre, semestre e por ano ao trabalho. Talvez, seja melhor nem pensarmos nisso para não enlouquecermos!

Quando algo, como a atividade profissional, tem um peso tão forte em nossas vidas, tendemos a colocá-la no centro de nossas esperanças e perspectivas, vinculando a ela nossos sonhos mais bonitos. No entanto, essa, definitivamente, não me parece a atitude mais saudável que deveríamos ter.

Os sonhos deveriam ser impulsionados pela atividade profissional, mas não estarem estritamente vinculados a ela. Por exemplo, você pode ser médico e ter como sonho realizar uma grande ajuda humanitária, neste caso poderia participar dos “Médicos sem Fronteiras” e ter essa oportunidade de se sentir completo por um tempo.

Perceberam como o sonho é tão maior que a atividade profissional?

Nossos sonhos podem estar associados a viver diferentes experiências em outras culturas, em construir uma linda família, ou ainda escrever poesia, pintar quadros etc.

Nossos sonhos deveriam motivar aquilo que de mais inspirador e inocente há em nós, até porque essa é uma estratégia de sobrevivência.

É óbvio que alguns sonhos podem estar associados a grandes vocações e temos exemplos diversos na nossa história de personalidades iluminadas que abdicaram de tudo para ajudar o próximo. Em situações assim só posso imaginar que a vocação é um grande imperativo.

Sobre a vocação eu a entendo como algo que vai permeando nossa história de vida, que está presente, mesmo sem sabermos, em todos os nossos atos mais importantes, principalmente, no que tange ao campo profissional.

Então minha sugestão é: pensemos em nossa biografia (em especial a profissional) e em nossas principais narrativas e olhemos com atenção qual é a “cola”, o que liga tudo, o que dá consistência a tudo que o que vivenciamos.

Quando fizermos esse exercício, talvez demore um pouco, mas com certeza descobriremos nossa vocação.

Sendo assim, enquanto o sonho está vinculado ao que de mais inspirador há em nós, a vocação está na base de muitas de nossas decisões, guiando nossas escolhas para que ajustemos nossos anseios à realidade que se nos apresenta e possamos dar vazão àquilo que, de certa forma, diz quem somos.

Concluindo, minha sugestão é: tenha sonhos incríveis e vocações possíveis.

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