Por que o Facebook virou um campo minado?

Em algumas conversas com colegas, profissionais e amigos tenho percebido uma grande insatisfação com as construções narrativas no facebook. Isto é, com os encaminhamentos de gostos promovidos pelos algoritmos e, especialmente, pela pretensa liberdade de opinião acessível a todos.

O facebook se tornou um território minado infestado de opiniões bomba.

Apesar de ser um campo importante para marcas, principalmente, para publishers a abertura interativa – pressuposto básico desta rede social – permite que opiniões sejam declaradas sem nenhum filtro (diga-se, filtro interno do próprio comentarista e não algum tipo de censura), exaltando a superficialidade como base do direito de se expressar.

Hoje mesmo, 07/11/2017, li a postagem de um publicitário de renome criticando o tema do ENEM, por ser demais específico. Pensei: como publicitário ele entende sobre educação, pedagogia, construção de competências, intertextualidade, currículo do ensino médio, construção textual de concurso e etc? Pelo que acompanho das atividades dele, fica a impressão que tais temas não são de sua alçada, mesmo assim, nada o impediu de emitir um comentário desqualificado sobre o assunto.

Inegavelmente, esse tipo de comportamento é uma epidemia no facebook, por exemplo, gerando os fake News – notícias falsas – que conduzem a formação de opiniões, direcionando-as de maneira muito evidente a serem contrárias ou a favor de determinada situação. Vemos muito isso no campo da poítica brasileira.

Além disso, ainda temos os Haters, que se comprazem em expressar suas visões de mundo atacando com voracidade aqueles que pensam ou articulam de maneira diferente suas identidades, seus amores, suas vontades e até seus consumos.

Outro grupo que está surgindo nessa mídia social são os humilhadores. Infelizmente, tive acesso (via facebook, claro) a vídeos na minha timeline de sujeitos que tiveram tempo para ir à frente dos portões dos locais de prova do ENEM, simplesmente para filmar ou tirar sarro dos retardatários e postar nas redes sociais.

Em que momento rir da dor alheia se tornou motivo de curtidas, compartilhamentos e engajamentos?

Enfim, como todo campo minado, mais cedo ou mais tarde, algum pedaço e irá explodir e teremos que cuidar dos feridos, além de pensar em estratégias para que isso não mais aconteça. Da minha perspectiva, minha baixa interação é uma reação a essas situações tão estranhas que tenho presenciado. Talvez, por isso eu me sinta mais em casa no Linkedin.

#facebook #comunicação #opiniãocrítica #mídiasocial

Dr. Fábio Caim,

Sócio-fundador da Objeto Dinâmico – inteligência de marcas. Publicitário, Psicanalista, Doutor em Comunicação e Semiótica

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