O Propósito empresarial: significado e relevância – Tomo 3

Escrever sobre Propósito empresarial é um assunto que não se esgota. Poderíamos elaborar páginas e páginas sobre as incursões das marcas, mas precisamos dar tempo ao tempo, pois como pesquisadores que estudam os discursos publicitários o tempo de hoje é uma grande incógnita.

Entretanto, entendemos que ainda podemos refletir um pouco mais sobre este objeto de estudo.

Nos dois tomos anteriores tentamos construir um cenário discursivo. No primeiro comentamos sobre o  Propósito empresarial como um ajuste na visão negocial, se apropriando de questões sociais ou socioambientais e até pessoais para construir uma ponte que aproxime a marca ao seu consumidor ou a sociedade como um todo, pois bem disse All Ryes, “mais vale ser a marca mais conhecida do que a mais comprada”, porém não é só isso: que seja verdadeira e que crie uma base para a atuação do negócio. Senão não será crível.

No segundo tomo refletimos sobre o Propósito e a situação de calamidade pela qual estamos passando, onde o consumo de mercadorias e de serviços foi e está rápida e profundamente inibido. Falamos também da preocupação dos empresários e empreendedores que entre a “cruz e a espada” pensam em como ser mais assertivos socialmente via seus negócios, empresas e marcas embora exista uma preocupação imensurável em relação ao desastre econômico, que virá na sequência.

Gostaríamos de comentar que a nossa crença nos intui que o caminho é sempre avante. Podemos estacionar por períodos, mas como uma dinâmica universal, a expansão é ponto pacífico. Por isso retomo a questão do crescimento moral social aliado ao acesso à informação de forma ampliada e on time, que levou aos pensadores do mercado a captura de um conceito próprio do ser humano, mais antigo do que possamos nos lembrar, com o sentido estrito de participação social, mas sem dúvida com ganho de valor com sua relevância. Neste caso o Propósito.

Por que não o dom, o talento, a aptidão ou mesmo a vocação? Afinal, são palavras que se esbarram em suas manifestações com o Propósito.

Em nosso curso “O Propósito empresarial – qual o seu legado para o mundo. Visões e abordagens”, pesquisamos o léxico do contexto relacionado à palavra propósito. Cada uma delas emana de um saber, onde o senso comum e a historicidade no uso das expressões fincaram seus significados, que aparentemente coincidentes, são bem diferentes.

Olhando especificamente para a palavra Propósito, que vem do latim Proponere, e que quer dizer colocar à frente, podemos dizer que é um conceito que abarca uma decisão e criação pessoal e, portanto, de inteira responsabilidade do indivíduo. Sendo assim, nesta migração de um escopo pessoal para o imaterial, considerando a marca como uma instituição, podemos concluir que o Propósito está ligado a um legado e a valores  podendo servir, desta forma, tanto a uma pessoa como a uma marca.

Segundo Sri Prem Baba o propósito pessoal está relacionado com aquilo que a pessoa faz no mundo.  E segundo ele “o fazer em si não é propósito. O fazer é um instrumento por meio do qual o propósito se realiza”. E isto serve tanto às marcas como às pessoas.

O conceito de Propósito focado no indivíduo é, segundo Bruno Hohl, mais adequado a um modelo mental da sociedade do século XXI. Mais adequado do que vocação por exemplo. Pois a vocação nos amarra a uma função definida na sociedade, enquanto as vantagens do propósito são tangíveis pois ajudam a focar a atenção naquilo que é importante, ou seja, priorizar escolhas, trazendo uma dimensão evolutiva e adaptativa mutante, pois as escolhas podem evoluir e mudar à medida que nós  mudamos.

O propósito requer uma escolha pessoal enquanto na vocação somos escolhidos. A partir desta diferenciação percebe-se que podemos criar uma vida com mais significado quando temos um propósito, mesmo que este vá mudando conforme vamos mudando a jornada da nossa vida. Se entendermos a vida como um processo criativo, podemos entender também que o propósito é maleável, pois amplia o potencial criativo dando sentido à vida.

Em um mundo tão múltiplo e acelerado, líquido segundo Zygmunt Bauman, o Propósito pessoal como também o empresarial, podem ser um farol a ser seguido.

Ao colocar todo este caldo significativo nas mãos de uma marca, estamos propiciando sua humanização, desde que esta saiba enunciar claramente sua fundamentação e trabalhar de acordo com ela. O Propósito vai tangibilizar valores pessoais, e assim acompanhar a escalada moral evolutiva da nossa sociedade.

E como diz meu sócio amigo e guru, Prof. Dr Fabio Caim, publicitário e psicanalista, as marcas precisam se fazer sentir pelo consumidor, precisam estar presentes de maneira relevante, propondo mudanças sociais que tornem a vida de todos, ou de determinadas comunidades melhores e mais confortáveis.

Nestes três tomos tentamos condensar algumas das questões que envolvem o Propósito empresarial e colocar luzes sobre o tema. Afinal, acreditamos que o conceito seja um ativo a ser assumido pelas marcas, e o quanto antes, melhor para a sociedade.

Estas foram minhas reflexões que achei importante compartilhar com vocês.

Sulce Lima

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