O Propósito empresarial em tempos de Vírus – Tomo 2

Estive observando os intervalos comerciais nas redes de televisão, com o objetivo de entender a movimentação discursiva das marcas neste momento bem esquisito da história da humanidade.

Obviamente muitos espaços contratados tiveram sua continuidade com as mesmas propostas, portanto algumas marcas continuam a se comunicar como se o mundo continuasse o mesmo. Mas rapidamente novas inserções aconteceram, já com discursos alinhados a uma nova demanda social ou com aderência aos serviços de informações pertinentes à proteção individual e sobre todas as providências que o cidadão deve tomar para sua preservação enquanto espécie, tomando emprestado o discurso institucional; e outras mantiveram sua essência vendedora acrescentando à necessidade da compra on-line, suas facilidades. Isto nas mais variadas vertentes de consumo. 

Outras foram a frente e se adiantaram em serviços interessantes e importantes na ajuda econômica de comerciários, como facilitação logística, de empréstimos etc.

E aí me pergunto: o que os gestores de empresas tanto de mercadorias como de serviços estão pensando como próximos passos? E quando será o próximo passo? 

Tomando literalmente emprestado um texto enviado a mim pela minha amiga empresária Roberta Mestieri – da Mestieri PR, quando filosofávamos sobre este momento difícil pelo qual todos estamos vivendo, ela comentou: 

“Penso, que muitas pessoas/empresários estão se questionando nesse confinamento e se perguntando: qual a nossa missão no mundo, ou o que eu posso fazer de melhor na minha empresa ou na minha vida para contribuir para um mundo melhor? Temos que mudar, isso não veio por acaso! Essa pausa forçada tem que nos fazer entender que estávamos vivendo uma vida sem sentido, desenfreada, alucinada. É preciso colocar mais amor no que se faz, senão nada se transforma, tudo fica automático. Lembra quando eu te falei que não queria ter uma empresa só para ter lucros, mas que gostaria de fazer algo com alma e saber que poderia contribuir para um mundo melhor? Ainda estou nessa busca, mas sei que vou encontrar um caminho melhor.” 

O Propósito empresarial veio justamente para ajudar nesta busca. Para conectar o comercial ao social. Ele surgiu do crescimento moral necessário na ideologia do consumo, porque a consciência do consumidor foi galgando a escada do conhecimento e as nossas companheiras de vida e dos sonhos de consumo, as brand lovers, estão junto nesta escalada.  Dizem os pesquisadores que as marcas mais amadas tem Propósito em sua essência.

Quem sabe não está na hora, ou na melhor hora, de muitos empresários sejam seus negócios de grande, médio ou até pequeno porte repensarem o lugar de suas marcas neste mundo novo que sem dúvida chegará para nós, pós vírus.

Não falo deste movimento solidário que as grandes marcas de vários segmentos estão realizando, que vai da doação de grande soma de recursos, a parcerias entre concorrentes, ativo de conhecimento e imbricamento de profissionais e acadêmicos formadores de opinião e gestores gabaritados, entre outras iniciativas que merecem respeito e aplausos. Isto nos deixa sensibilizados e sem dúvida a nossa sociedade necessita deste apoio de quem tanto apoia.

Falamos no pós surto, pós vírus, pós reclusão. Quando o mercado encontrar novamente seu caminho. Quando os empresários olharem para frente e conseguirem ver mais claramente um futuro otimista. Qual a reflexão para a gestão da marca se fará presente? Qual será o aprendizado que será incorporado ao branding?

O Propósito é um norte, um grande balizador e pode trazer luzes a este novo porvir, pois segundo Joey Reiman “Propósito de marca é a razão porque sua marca existe. Não apenas o que sua empresa faz, ou os benefícios que seus produtos trazem, mas como esta pretende realmente contribuir para um mundo melhor”.  

Por enquanto é este meu pensamento que gostaria de compartilhar com vocês.

Sulce Lima

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