“Como fazer amigos e influenciar pessoas”

Gostaria de enfatizar que este texto não é uma resenha do clássico e notório livro de  Dale Carnegie publicado em 1936, que continua atual apesar de mais de 80 anos de sua edição, mas me apropriar de seu título para percorrer sua  enunciação e as mutações que posso distinguir na sua aplicação no decorrer das décadas.

Vale ressaltar que ao colocar o título-tema em uma arquitetura discursiva, me detive em uma reflexão arbitrária baseada na minha vivência profissional, não elaborando uma análise discursiva teórica. Sendo assim, ao pensar na vertente principal da arquitetura discursiva do tema – técnicas especiais que contribuem para melhorar processos pessoais –  elaboro as relações discursivas me baseando em regras culturais que acompanham ou são derivadas da circularidade ascendente da nossa sociedade, se materializando em novas práticas e tecnologias.

Puxando só pela memória, lembro da década de 1980 quando tomei conhecimento  da PNL –  Programação Neurolinguística –  e  sua aplicação em um workshop realizado pela agência de propaganda na qual  trabalhava. As capacitações profissionais “in house” eram uma prática comum da época.

Todo o corpo de funcionários técnicos e de gestão da agência (da presidência chegando aos assistentes tanto de mídia, como atendimento, planejamento e criação), ficou hospedado em um hotel estância em São Roque em um final de semana, quando tive a oportunidade de trabalhar meu comportamento em relação ao grupo,  na tentativa de entender minha  estrutura interna de emoções e pensamentos. Sem dúvida muito divertido, e para aqueles mais “antenados” no desenvolvimento da autoconhecimento, muito esclarecedor.

Lembrei depois, mudando completamente o roteiro de aprendizagem, os cursos de aperfeiçoamento de técnicas de persuasão de “venda” para ideias criativas e suas campanhas publicitárias. Cursos estes administrados por outra agência de propaganda, já utilizando as teorias mais contemporâneas sobre empatia e técnicas de persuasão.

 

Não lembro quantas ideias criativas aprovei depois da capacitação, mas me lembro claramente dos amigos que fiz e dos relacionamentos que iniciei ou consolidei pela habilidade conquistada.

Neste percurso, posso citar o Coaching, amplamente divulgado e assimilado pelo universo profissional. Citando Flaherty em seu livro Coaching- desenvolvendo excelência pessoal e profissional, a técnica auxilia a “criar relacionamentos entre pessoas que estão continuamente aprendendo sobre ambientes mutáveis nos quais vivem e trabalham”. Sem dúvida uma técnica que auxilia sobremaneira os executivos dos mais variados escalões de desenvolvimento profissional ou de segmento de atuação.

 

E desemboco na atualidade, nas redes sociais, que oferecem o meio e uma abrangência desmedida para “fazer amigos e influenciar pessoas”. E daí observo a retórica atual utilizada para a construção da visibilidade pessoal, com o fenômeno das blogueiras, posteriormente dos influenciadores e portanto das técnicas de persuasão sendo utilizadas de forma lúdica e assertivas de engajamento social.

Uma linguagem contemporânea, que se iniciou intuitiva mas que evoluiu para uma técnica de construção da imagem pessoal, delineada milimetricamente e referenciada pela cultura do consumo e pela idolatria das marcas.

Falo aqui não da parte perversa da cultura do consumo, mas das possibilidades de transparência, da circulação das informações, das conexões e amplitude de pensamentos e reflexões, da sociedade em rede postulada por Canclini. E para tanto, a marca pessoal, o brandyou, que carrega em si a expressão do ser, se apresenta e age como facilitador na hora de “fazer amigos e influenciar pessoas”, inseridos agora na euforia digital que tudo sabe , tudo vê.   

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