Boas Festas, Feliz Natal e um Próspero Ano Novo

Recebi ontem mais uma correspondência da Associação dos “Pintores com a Boca e os Pés”, como é usual todo final de ano. Esta ONG não se posiciona como uma instituição caritativa, apesar de seus associados serem portadores de deficiência, não se intitulando portanto uma associação beneficente, mas sim uma sociedade onde todos os seus integrantes “aprenderam a desenhar e pintar sustentando o pincel com a boca ou com os dedos dos pés, por terem perdido o uso das mãos”.

Independentemente de seu posicionamento ou de sua qualificação, a instituição “Pintores com a Boca e os Pés” faz parte de uma inciativa da sociedade civil, como as demais associações do gênero, e como tal, se utiliza dos instrumentais da Comunicação Publicitária para se aproximar de seus públicos de interesse. Os objetivos desta aproximação são um tanto quanto óbvios, mas vale ressaltar e estimular do interesse da sociedade pela causa e mobilizá-la no sentido de gerar manutenção financeira da associação, entre os demais que giram entorno destes dois.

O material que recebi pode ser classificado como mala direta /Marketing Direto, ainda na conformação impressa, pois no envelope foram enviados alguns cartões de Natal (com ilustrações muito bonitas), seus respectivos envelopes, um calendário 2018 de mesa, uma carta explicativa assinada por um dos pintores e a relação de seus artistas, e um boleto para pagamento. O pagamento, fica claro na carta, não é obrigatório, não havendo compromisso apesar de ter recebido os produtos. Todo material muito bem cuidado. Uma bela produção.

Nada mais natural que na época pré-natalina recebamos informações sobre produtos que circundam a data – a festejada e consumista data natalina – entretanto,  o que me intriga é a análise do público-alvo para esta ação específica protagonizada pela ONG.

Coincidentemente, no mesmo dia, em reunião com a diretoria de uma agência de comunicação lembramos da época (não tão remota assim) que, nós profissionais de agência, recebíamos inúmeros cartões de Natal. Depois passaram a ser virtuais e neste caso não mais individuais, (já que impressos recebíamos vários cartões da mesma empresa em função da abrangência de relacionamento) e assim por diante. Nosso lamentar residiu, principalmente, na perda da troca dos sinceros votos de Boas Festas, Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.

Hoje, quem usa calendário de mesa? Ou manda cartão de Natal pelo Correio?

Eu ainda recebo alguns, e acho particularmente uma delícia receber um cartão de Natal ou um cartão postal pelo Correio, mas tenho a impressão que este target específico, no qual me incluo, está em fase de extinção.

Porém, há que se pensar que o produto final entregue pela instituição, ou um de seus produtos, podendo qualificá-lo assim em função do objetivo da produção – Cartões de Natal e Calendários  comercializáveis –  está coerentemente aplicado no que diz respeito a causa da ONG. Entretanto, seria importante que a instituição refletisse mais profundamente, sobre o perfil de seu target e as possibilidades de integração com os produtos da instituição (brand experience ?).

Suponho que a ação apresente resultado financeiro positivo, pois ela se repete.  Mesmo assim, acredito que esta reflexão deva acontecer, para que este resultado positivo não se perpetue apenas como resultado de uma ação caritativa por parte da sociedade, justamente o oposto do posicionamento da instituição.  E sim resultado de um discurso bem alinhavado, no qual se integram produto, instrumental de comunicação, e entendimento do público-alvo.

 

Ms. Sulce Lima – sulcelima@objetodinamico.com

Sócia-fundadora da Objeto Dinâmico

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